“Logo se reconhecerá que o Espiritismo ressalta a cada passo do próprio texto das Escrituras Sagradas. Os Espíritos não vêm, pois, destruir a religião, como alguns o pretendem, mas, ao contrário, vêm confirmá-la, sancioná-la por provas irrecusáveis.” (O Livro dos Espíritos, questão 1010)

Mostrando postagens com marcador religiosidade universalista. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador religiosidade universalista. Mostrar todas as postagens

domingo, 30 de julho de 2023

ESPIRITISMO E UNIVERSALISMO

  


O Espiritismo já é em suas bases doutrinárias universalista, pois considera todas as pessoas como iguais, todos são irmãos e filhos de um mesmo Deus independente de suas escolhas religiosas ou da falta de religião, de suas opiniões teológicas ou doutrinárias, bem como, pela realização desse ou daquele rito.

Para a Doutrina a “salvação” é acessível a todos os indivíduos, pois é unicamente pela reforma íntima, pela busca constante do melhoramento interior e pelo serviço em benefício do próximo que evoluímos para Deus e não pela filiação nessa ou naquela expressão de culto. 

Todavia, apesar do respeito e do diálogo com todos os credos e formas de pensar, o Espiritismo têm seu modo característico de expressar-se, suas terminologias, suas orientações de conduta fundamentadas no Evangelho de Cristo e metodologias próprias de trabalhar a mediunidade. 

Porém, muitos irmãos espiritualistas e até mesmo espíritas, não poucas vezes expressam o seu descontentamento com o Espiritismo, pelo fato das instituições que representam a Doutrina não assimilarem  os conceitos e as formas de expressão de outras escolas espiritualistas. Para muitos desses irmãos o Espiritismo deveria absorver toda e quaisquer novidades doutrinárias que surgem quase que diariamente no meio religioso espiritualista. Esses irmãos acreditam que o espiritismo parou no tempo e que deveria se atualizar.

Realmente, é preciso admitir que existem companheiros de ideal que se acomodam, não por culpa da doutrina, mas, devido às limitações individuais e até de determinados grupos. São questões difíceis, porém, que fazem parte da caminhada, até porque, na medida em que o Espiritismo cresce, muitos adeptos vão conformar-se com a rotina e outros vão buscar evoluir seus conhecimentos, fenômeno comum e observável em todas as crenças e vertentes religiosas quando começam a alcançar maior relevância numérica.  

Entretanto, apesar de respeitar a opinião desses nossos irmãos descontentes e por não estarem de alguma maneira errados de todo, é imprescindível considerar que o Espiritismo, conquanto seja uma religião evolutiva, não pode e nem deve estar aberto a toda ideia religiosa e a quaisquer inovações doutrinárias; a todo e qualquer conceito espiritualista que surgir ou abraçar ritos e formas de trabalho que se desenvolvem nos ambientes das mais diversas vertentes em que se divide o espiritualismo.

Uma atitude dessas traria muita confusão num ambiente religioso onde já é difícil manter a coesão doutrinária entre as instituições, principalmente quando surgem no próprio seio doutrinário ideias conflitantes que já causaram dissenções e separações. Até aí nenhuma novidade, pois o próprio Kardec já havia previsto que esses movimentos  dissidentes surgiriam, sociedades que partindo dos fundamentos da Doutrina Espírita dariam origem a outras religiões.  

 O Espiritismo não quer e nem se propõe a ser o dono absoluto da verdade porém, muitos irmãos querem impor seus gostos e predileções, sem avaliações prévias, sem passarem pelo crivo do filtro, da opinião racional de companheiros esclarecidos e principalmente da espiritualidade, com a justificativa de que é preciso dar abertura a todas as concepções e dar liberdade de pensamento e expressão. Sem atentarem que toda liberdade requer também responsabilidade e que todos os nossos atos trazem consequências tanto individuais quanto coletivas.

 

Todavia, isso não impede que o espírita leia e estude princípios de outras doutrinas tendo sempre bom senso pois, como aconselhou o apóstolo Paulo é preciso ler e examinar de tudo e reter o que for bom (1 Tessalonicenses 5:21). Isto posto, é necessário ao adepto do Espiritismo, que almeja acrescentar informações e práticas novas ao seu cabedal de conhecimentos ou introduzir esses conceitos aos estudos doutrinários da instituição espírita que participa, filtrar esses conteúdos adaptando-os à simplicidade que a doutrina preconiza. Nem todos os ensinos disseminados nos círculos espiritualistas, principalmente na vertente denominada de universalista, estão de conformidade com os fundamentes básicos do espiritismo.

Enfim, a Doutrina Espírita não pode e nem consegue agradar a todos, sejam encarnados ou desencarnados, apesar da sua robustez filosófica, religiosa e científica[1]. O mais importante é que no seu caminhar doutrinário, ela desperte o interesse e leve o conhecimento sobre a vida futura, regenere os corações, ilumine os sentimentos e dissemine a caridade em todas as suas formas. Seguindo em frente na sua missão como o consolador prometido pelo Cristo Jesus.

 

 

 

Jefferson Moura de Lemos

 

 

 

[1] A codificação Kardequiana apesar de não ser reconhecido pela ciência oficial da atualidade, os fenômenos espirituais explicados pelo espiritismo foram estudados por renomados cientistas desde o final do século XIX. Utilizando as metodologias de suas respectivas  épocas, esses pesquisadores comprovaram a veracidade dos fenômenos e suas   pesquisas até impulsionaram  a criação de duas escolas de pensamento investigativo: A metapsíquica na Inglaterra e a Parapsicologia nos EUA. Esses estudos sérios podem ser acessados nas chamadas obras clássicas da Doutrina Espírita.