“Logo se reconhecerá que o Espiritismo ressalta a cada passo do próprio texto das Escrituras Sagradas. Os Espíritos não vêm, pois, destruir a religião, como alguns o pretendem, mas, ao contrário, vêm confirmá-la, sancioná-la por provas irrecusáveis.” (O Livro dos Espíritos, questão 1010)

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quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

A MENSAGEM DA CRUZ


           No Gólgota, Jesus encontrava-se alçado à cruz, humilhado e derrotado segundo os olhos do mundo (Mateus 27:33). Avistando os seus algozes, e junto a eles, seus entes queridos e alguns dos seus discípulos, as forças já lhe deixavam aos poucos e não havia mais como resistir, então, naquele momento de dor deixou o mestre divino o maior exemplo de perdão que a humanidade jamais viu.
         Elevando a cabeça para o alto, pronunciou as derradeiras palavras de amor incondicional: “Pai perdoai-os, pois eles não sabem o que fazem” (Lucas 23:34).     
         Queridos irmãos, isto é muito forte. Por mais dificuldades, por mais aflições que passemos nesta vida, ainda não seria uma parcela mínima da dor que Jesus estava sentindo naquele instante, e mesmo assim, o seu pensamento era somente de perdão, não aquilo que geralmente nos arvoramos de assim chamar, um perdão fingido, mais o perdão extremo. 
         Quantas vezes, por qualquer bobagem, deixamos ir por água a baixo uma amizade, um relacionamento. Deixamos um pai e uma mãe, sem prestar-lhes mais o carinho e o amor, por que nos magoaram em um momento qualquer, esquecendo de quantas ocasiões eles ficaram ao nosso lado. Nos lembramos apenas de uma única ocasião ruim.
         A mágoa e o ressentimento são venenos que nos debilitam física e espiritualmente; e isso a ciência já comprova e prova. Quantas doenças cardíacas não começaram por um ressentimento regado por anos a fio. Quantas outras enfermidades não tiveram como causa o ódio ou o remorso.  
         As energias negativas que emitimos ou atraímos causam doenças psicossomáticas que não poucas vezes até se materializam em enfermidades mais graves destruindo a nossa de vida, a felicidade que poderíamos desfrutar. Infelizmente muitos homens e mulheres ainda não se aperceberam de que a causa é simplesmente um sentimento ruim que ainda não foi tratado pelo medicamento maior do perdão.
         Tentemos pelo exemplo do Cristo exercitar e incentivar o perdão, nossa saúde física, mental e espiritual dependem da nossa maior ou menor capacidade de amar e perdoar, de nossa maior ou menor capacidade de servir a Jesus e ao próximo como gostaríamos de ser servidos, amados e sermos tambem perdoados.




Jefferson Moura de Lemos

domingo, 4 de dezembro de 2011

A MULHER QUE TINHA UM FLUXO DE SANGUE


          “E certa mulher, que havia doze anos tinha um fluxo de sangue, e que havia padecido muito com muitos médicos, e despedido tudo quanto tinha, nada lhe aproveitando isso, antes indo a pior;
          Ouvindo falar de Jesus, veio por detrás, entre a multidão, e tocou na sua vestimenta. Porque dizia: se tão-somente tocar nas suas vestes, sararei.
          E logo se lhe secou a fonte do seu sangue, e sentiu no seu corpo estar já curada daquele mal.
          E logo Jesus, conhecendo que a virtude de si mesmo saíra, voltou-se para a multidão e disse: quem tocou nas minhas vestes? E disseram-lhe os seus discípulos: Vês que a multidão te aperta, e dizes: Quem me tocou?  
 
         E ele olhava em redor, para ver a que isso fizera.
          Então, a mulher, que sabia o que lhe tinha acontecido, temendo e tremendo, aproximou-se, e prostrou-se diante dele, e disse-lhe toda a verdade.
         E ele lhe disse: filha, a tua fé te salvou; vai em paz e sê curada deste teu mal.”


(Marcos 5: 25)*




          A mulher da passagem em tela, provavelmente sofria de algum tipo de hemorragia uterina que segundo a medicina atual pode ter diversas causas, tais como: Hormonais, infecciosas, tumorais¹... Assim, dificilmente os recursos rudimentares da época poderiam encontrar a medicação adequada que lhe proporcionasse a cura, passando desse modo, pelas mãos de vários médicos sem encontrar a solução.
          Ao depara-se com Jesus e sabendo de sua fama resolveu aproximar-se para toca-lo acreditando que realmente iria ficar curada, no momento em que ouve o contato, a reação de Jesus foi a de identificar a pessoa que lhe tocou dentre uma multidão que lhe apertava, pois dele havia saído uma virtude (ou “poder” segundo algumas traduções) conforme a terminologia utilizada na época.
          O que seria essa virtude ou poder que Jesus percebera que lhe saiu no instante do toque e que proporcionou a cura da doente?
          Desde as mais remotas épocas o ser humano manipula energias que no Espiritismo chamamos de fluidos, no antigo Egito, que detinha uma medicina  avançada em relação a outros povos, os sacerdotes também utilizavam imposições de mãos para a cura, o mesmo ocorria em outros povos e tambem entre os hebreus. Embora, apenas as pessoas religiosas se utilizavam desse método, não sendo muito diferente nos dias atuais.
          Jesus não só manipulava conscientemente esses fluidos como até as suas vestes estavam impregnadas.            
          A doutrina Espírita estuda os fluidos e sua ação magnética e curativa. E é através do conhecimento da ação fluídica que muitas passagens dos Evangelhos, ou melhor, de toda a Bíblia, podem ser mais bem compreendidas e explicadas.
          Desse modo, nada melhor do que as explicações de Allan Kardec acerca dessa passagem bíblica:
          “Estas palavras: conhecendo em si mesmo a virtude que dele saíra, são significativas². Exprimem o movimento fluídico que se operava de Jesus para a doente; ambos experimentam a ação que acabara de produzir-se. É de notar-se que o efeito não foi provocado por nenhum ato da vontade de Jesus; não houve magnetização, nem imposição das mãos. Bastou a irradiação fluídica normal para realizar-se a cura.
          Mas, por que essa irradiação não se dirigiu para aquela mulher e não para outras pessoas, uma vez que Jesus não pensava nela e tinha a cercá-lo a multidão?
          È bem simples a razão. Considerado como matéria terapêutica, o fluido tem que atingir a matéria orgânica, a fim de repara-la; pode então ser dirigido sobre o mal pela vontade do curador, ou atraído pelo desejo ardente, pela confiança, numa palavra: pela fé do doente. Com relação à corrente fluídica, o primeiro age como uma bomba calcante e o segundo como uma bomba aspirante. Algumas vezes, è necessária a simultaneidade das duas ações; doutras, basta uma só. O segundo caso foi o que ocorreu na circunstância de que tratamos.
          Razão, pois, tinha Jesus para dizer: “Tua fé te salvou.” Compreende-se que a fé a que ele se referia não é uma virtude mística, qual a entendem muitas pessoas, mas uma verdadeira força atrativa, de sorte que aquele que não a possui opõe à corrente fluídica uma força repulsiva, ou, pelo menos, uma força de inercia, que paralisa a ação. Assim sendo, tambem se compreende que, apresentando-se ao curador dois doentes da mesma enfermidade, possa um ser curado e outro não. É este um dos mais importantes princípios da mediunidade curadora e que explica certas anomalias aparentes, apontando-lhes uma causa muito natural.” (A Gênese cap. XV, itens 10 e 11)³



Jefferson Moura de Lemos
    
      





Referências:

*Bíblia Sagrada. João Ferreira de Almeida. Ed. 1995 São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 2005.
[1] BIBLIOTECA médica Online
[2] Os grifos são nossos.
[3] Kardec, Allan. A Gênese, os milagres e as predições segundo o Espiritismo. Ed. FEB, 35ª edição