“Logo se reconhecerá que o Espiritismo ressalta a cada passo do próprio texto das Escrituras Sagradas. Os Espíritos não vêm, pois, destruir a religião, como alguns o pretendem, mas, ao contrário, vêm confirmá-la, sancioná-la por provas irrecusáveis.” (O Livro dos Espíritos, questão 1010)

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domingo, 1 de setembro de 2024

VISÃO ESPÍRITA DA CARIDADE

 


Os pressupostos teóricos básicos dessa proposta encontram-se pautados nos relatos evangélicos do trabalho de Jesus, bem como nas obras básicas da Doutrina Espírita conforme organizados por Kardec.

           É fundamental para o entendimento dessa proposta de trabalho que se parta de uma revisão e aprofundamento do conceito de caridade à luz da Doutrina Espírita, bem como dos conceitos de assistência social e evangelização.


            A resposta à Questão n° 886 de “O Livro dos Espíritos” esclarece que Jesus entendia a caridade como “benevolência para com todos, indulgência para com as imperfeições dos outros e perdão das ofensas”. No livro “vinha de Luz”, Emmanuel, quando trata da caridade essencial, afirma que, seja em forma de afeto, benevolência, indulgência, filantropia, esmola, beneficência, a caridade aparece sempre nas modalidades de assistência, ensinamento e medicação. Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Allan Kardec dedica um capítulo inteiro desta obra ao tema caridade, de forma a nos esclarecer que em decorrência do mandamento maior de “amar a Deus e ao próximo como a si mesmo” fora da caridade não há salvação.

            Pela importância que é dada à caridade na literatura espírita, somos sempre levados a concluir que esta virtude constitui o coração da Doutrina. É através do exercício da caridade que poderemos colocar em prática os ensinamentos da Boa Nova, que poderemos de fato vivenciar os ensinamentos evangélicos. Dizer que a caridade é o coração da Doutrina Espírita é compreender que ela é a maior questão central, a virtude maior da qual decorrem todas as outras (cf. epístola de Paulo aos Coríntios). Por outro lado, entendendo que a caridade só pode ser vivenciada no relacionamento interpessoal, compreende-se também que ela é uma ação com o outro, com o próximo.

            Por isso mesmo a caridade envolve a ação social que alcança o próximo como um socorro libertador, manifestando-se através de assistência e promoção do necessitado, pois, de acordo com a orientação de André Luiz, na ação social caritativa devem ser observados os seguintes passos: 1° – levante o caído; 2° – caminhe com ele até que ele consiga caminhar sozinho. A ação social assim compreendida torna-se a atividade executiva da Casa Espírita por ser ela a forma prática de aplicação do Evangelho. A ação social envolve assistência, medicação e educação à luz dos princípios doutrinários evangélicos. Nas palavras de Deolindo Amorim em “O Espiritismo e os Problemas Humanos”, a visão espírita de assistência abrange o homem na totalidade, justamente porque além do plano biológico, onde se localizam necessidades básicas do mecanismo orgânico, existem direitos e aspirações que dizem respeito à destinação superior do homem. Cumpre, pois, ajudar o homem a melhorar-se nos três planos – material, intelectual e espiritual. Promover é um ato ascensional.

Enfim, é fundamental na visão espírita de caridade que se faça uma distinção clara entre assistência e assistencialismo:

– A assistência contempla o homem na totalidade;

– A assistência promove a libertação do ser;

– A assistência é uma ação transformadora;

– A assistência visa ao mediato, embora atenda também ao imediato;

– A assistência consiste na pratica da caridade.

– O assistencialismo fragmenta o homem;

– O assistencialismo gera dependência;

– O assistencialismo é uma atitude mantenedora;

– O assistencialismo atende apenas o imediato;

– O assistencialismo promove a esmola.    

Trabalho apresentado pela Federação Espírita do Estado de Mato Grosso na Reunião do Conselho Federativo Nacional, de 1994, com base no tema “Serviço Assistencial Espírita – Fundamentos Filosóficos e Doutrinários

Revista Reformador/ ano 113/ fevereiro 1995/ n° 1.991– pag. 24

Federação Espírita Brasileira