“Logo se reconhecerá que o Espiritismo ressalta a cada passo do próprio texto das Escrituras Sagradas. Os Espíritos não vêm, pois, destruir a religião, como alguns o pretendem, mas, ao contrário, vêm confirmá-la, sancioná-la por provas irrecusáveis.” (O Livro dos Espíritos, questão 1010)

Mostrando postagens com marcador O Livro dos Espíritos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador O Livro dos Espíritos. Mostrar todas as postagens

domingo, 8 de junho de 2025

O ESPIRITISMO E O ABORTO

 

Com a palavra o Mestre Allan Kardec, que pergunta aos Espíritos: Constitui crime a provocação do aborto, em qualquer período de gestação? – Ao que respondem os mensageiros da espiritualidade: “Há crime sempre que transgredis a Lei de Deus. Uma mãe, ou quem quer que seja, cometerá crime sempre que tirar a vida a uma criança antes do seu nascimento, por isso que impede uma alma de passar pelas provas a que serviria de instrumento o corpo que estava formando”. (O Livro dos Espíritos, questão 358).



Com certeza, no intuito de trazer mais esclarecimento sobre o assunto, o Codificador do Espiritismo volta a perguntar: Dado o caso que o nascimento da criança pusesse em perigo a vida da mãe dela, haverá crime em sacrificar-se a primeira para salvar a segunda? – E os espíritos respondem com sabedoria: ”preferível é se sacrifique o ser que ainda não existe a sacrificar-se o que já existe”. (O Livro dos Espíritos, questão 359).

A resposta é de clareza solar: se o aborto é para salvar a vida da mãe, só e unicamente neste caso, é permitido. Qualquer outro tipo de aborto, provocado voluntariamente, é criminoso.

Todavia, não se confunda evitar filhos para controle da família, com abortá-los. E embora determina a Bíblia: “crescei e multiplicai-vos”, temos que fazer bom uso do livre-arbítrio e da razão, com o devido respeito às condições econômico-financeiras de cada um. Assim, os casais, a fim de não incorrerem na prática do aborto criminoso, podem adotar, para controle da natalidade, os métodos naturais e os recomendados pelos médicos à saúde.

Mas que razões levam as criaturas à pratica do aborto? Os pretextos são os mais diversos: aumento descontrolado da população mundial, medo da censura social ao filho bastardo, ocultação de relacionamentos amorosos ilegais, dificuldades econômicas, preconceitos sociais, prostituição e outros [1].

Ora, erros não podem justificar erros. Não é verdade? Podemos aceitar aquelas razões como dificuldades e, como tais, admiti-las como provas a serem superadas tranquilamente, sem que seja necessário a prática do aborto.

Sobejamente provado está que o aborto provocado é a grande tragédia dos tempos modernos.

Mas, enfim, que implicações, que comprometimentos traz o aborto delituoso para o futuro espiritual daqueles que o praticam?

Ensina o Espiritismo que o aborto provocado acarreta para o Espírito encarnado (a mulher) implicações ou consequências espirituais profundamente desastrosas.

Temos em mãos o livro de André Luiz “Ação e Reação”, psicografado por Chico Xavier, em que um médico da Espiritualidade diz: “A mulher que promove (o aborto) ou que venha a coonestar[2] semelhante delito é constrangida, por leis irrevogáveis, a sofrer alterações deprimentes no centro genésico de sua alma, predispondo-se geralmente a dolorosas enfermidades, quais sejam a metrite, o vaginismo, a metralgia, o enfarto uterino, a tumoração cancerosa, flagelos esses com os quais, muita vez, desencarna, demandando o Além para responder perante a Justiça Divina pelo crime praticado”. [3]

Como vemos, é sábia a orientação do irmão espiritual. Mas, não é tudo. E o processo obsessivo a que está sujeita a criatura que pratica o aborto?

Os Espíritos, impedidos pelo aborto de retornarem à vida física, se sentirão frustrados e, assim, provavelmente perseguirão aquela que seria sua mãe, seu pai e outros que participaram do ato criminoso.

A obsessão inicia-se nesta existência e às vezes, passa para futuras encarnações. É o cumprimento da Lei de Causa e Efeito. [4]

DEUS é AMOR, mas também é justiça. Suas leis são justas, perfeitas e sábias. Delas, ninguém jamais poderá fugir.

 

 

Severino Barbosa

O Espiritismo e a Indústria do aborto

Extraído da Revista Internacional de Espiritismo

Ano LXXIV – nº 12 – Matão, Janeiro, 2000

Página 563

 

 

  

Observações do Blog:

[1] Apesar do texto ser dos anos 2000, o conteúdo continua extremamente atual. Hoje em dia algumas mulheres, com o intuito de exercerem determinadas ações que antes eram exclusividade social dos homens, aderem à ideia de legalidade total do aborto (a legislação brasileira atual permite apenas em casos específicos) a fim de praticarem uma “liberdade” que se iguala ao machismo que tanto combateram.

[2] Dar aparência de honesto ou de conformidade com a honra

[3] As implicações Cármicas não atingem somente a mulher mas, a todos os envolvidos no ato, cada um com o seu grau de responsabilidade e consciência. 

[4] Tudo depende da condição evolutiva da entidade que iria reencarnar, se for um espírito mais evoluído a sua capacidade de perdoar minimizará a frustração e a revolta, se for ainda atrasado moralmente, poderá realmente voltar-se contra aqueles que seriam seus parentes.

 

sexta-feira, 30 de junho de 2023

AS COMUNICAÇÕES MEDIÚNICAS E A FÉ RACIOCINADA

“Não creiais em todo espírito, mas provai se os espíritos são de Deus. 1 João 4.1


Lamentavelmente, muitos espíritas, instituições ou médiuns individualmente, esquecem ou não querem mesmo aplicar o rigor metodológico que Kardec aplicou às mensagens mediúnicas. Essa falta de critério leva a disseminação de mensagens e literaturas com conteúdos duvidosos que são comumente identificados pela maioria das pessoas como um ensinamento espírita legítimo.

Levando muitos indivíduos a terem dúvidas e verem contradições e erros nos ensinos do Espiritismo, afastando-se da seara espírita simplesmente por falta de maior entendimento acerca dos fenômenos mediúnicos e principalmente da autonomia que os espíritos têm como seres de vontade própria com livre-arbítrio.

Desse modo, não podemos esquecer que os espíritos nada mais são do que seres humanos desencarnados, em diversos graus de inteligência e moralidade, assim, do mesmo modo que devemos ter parcimônia com os discursos entre os homens devemos racionalizar tudo o que vem do mundo espiritual. São duas humanidades que se interpenetram, e se influenciam mutuamente:

Como os Espíritos de todos os graus podem manifestar-se, resulta que as suas comunicações trazem o cunho da sua ignorância ou do seu saber, da sua inferioridade ou da sua superioridade moral. E é justamente para distinguir o verdadeiro do falso, o bom do mau, que devem servir as instruções que temos dado. [1]

Por não compreenderem essa realidade é que muitas pessoas se decepcionam. Ora, se nos decepcionamos com os discursos e atitudes de muitos seres humanos, é perfeitamente natural o desapontamento e o desencanto com o discurso e ensinamento de muitas entidades espirituais. Assim, é preciso racionalizar tudo o que vem do mundo espiritual, do mesmo modo, que fazemos rotineiramente nas nossas relações cotidianas. Da mesma maneira que encontramos pessoas desonestas, encontraremos espíritos enganadores, que vão se utilizar de médiuns incautos e excessivamente crédulos para repassar toda e qualquer informação.

Todavia, não podemos esquecer também que nem todos os homens são ruins e nem todos os espíritos embusteiros. Viver em sociedade é sempre um aprendizado e uma arte, levantar o véu sobre o mundo espiritual exige as mesmas habilidades, muitos vão errar e acertar, ter bom senso, é essencial.  

Entretanto, não basta apenas bom senso e confiar somente nos nossos conhecimentos pessoais, é preciso também buscar auxilio no conhecimento e opinião de outras pessoas para que, com maiores bagagens de informações, possamos avaliar melhor as comunicações e ter uma percentagem de acerto maior ao aceitar uma comunicação como verdadeira. Na dúvida, deixemos em modo de espera até que novos conhecimentos surjam  e ratifiquem ou corrijam a informação de determinada mensagem ou literatura mediúnica.

O roteiro para caminhar com um pouco mais de segurança e ser menos enganados nessa seara, Kardec nos deixou através de seus escritos, principalmente “O Livro dos Médiuns” que trata mais especificamente das comunicações de teor mediúnico, o resto só cabe a Nós utilizando, bom senso, conhecimento, pesquisa, e fé raciocinada. Isso é o Espiritismo. 



Jefferson Moura de Lemos



[1] O Livro dos Médiuns Cap. 27, item 299. 

sábado, 10 de fevereiro de 2018

SOMOS CRIATURAS OU FILHOS DE DEUS?



           Segundo o cristianismo tradicional, os seus adeptos são os únicos credenciados para se afirmarem filhos de Deus. Essa opinião é baseada em alguns textos, como por exemplo, João 1:12 onde se lê: “Contudo, aos que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus”.
 
         Para entender essa e outras passagens é necessário compreender o contexto e as motivações dos discípulos de Jesus naquele momento.

         Os seguidores mais próximos de Jesus, sendo judeus, estavam impregnados pelas mitologias de seu povo. Utilizando como ideia inicial de suas reflexões a queda do primeiro casal e a consequência da sua desobediência: o pecado original.

         Assim, acreditavam que, sendo Adão filho de Deus (Lucas 3:38), pois foi criado diretamente das suas mãos, ao perder a filiação divina por ocasião da queda, transmitiu para a sua descendência a condição de criaturas em busca de reconciliação com o seu criador. Somente após se reconciliarem com o Eterno é que o gênero humano poderia ascender novamente ao status de filhos.

         Até mesmo os judeus que eram chamados de povo de Deus não detinham essa prerrogativa, pois se consideravam filhos de Abraão (Lucas 3:8), igualando-se nesse sentido (de criaturas) aos gentios.

         Jesus era o elo que faltava para essa reconciliação. Se Adão condenou o ser humano a carregar um pecado hereditário, Jesus resgataria essa falta pelo sacrifício da própria vida (Romanos 5: 8-19). Reconduzindo todos os que passassem a crer em seu sacrifício para a comunhão filial com o Eterno. Já não serão apenas criaturas, mas legítimos filhos de Deus.

         Acontece que as descobertas da ciência demonstram a inexistência dos personagens de Adão e Eva comprovando a sua origem mitológica e simbólica. Invalidando por consequência o resultado de sua queda.

         Jesus por sua vez, não poderia substituir essas ideias mitológicas sem prejuízo para a sua missão. Portanto, teve que submeter-se às opiniões da época e trabalhar com o material que dispunha, para que a sua mensagem pudesse ser assimilada e disseminada, já que a doutrina da substituição sacrificial era algo aceito em praticamente todas as culturas da região e também em outras localidades do mundo. Desse modo, quando Jesus disse: “ide e pregai a toda criatura” (Marcos 16:15), apenas reproduzia um conceito que poderia ser aceito sem dificuldades.

         Infelizmente, ainda hoje, para a maioria dos cristãos apegados à mitologia, todos os que não se enquadram no seu modelo de cristianismo estão sob o peso do pecado e apartados da filiação divina, sendo considerados apenas criaturas, deserdadas assim do reino dos céus até retornarem à condição de filhos, aceitando o holocausto de Cristo.

         A Doutrina Espírita seguindo de mãos dadas com os achados científicos, não vê Adão e Eva como pessoas reais, mas, personagens alegóricos e o pecado original por consequência não aconteceu. Por conseguinte, também não houve sacrifício de substituição na cruz, quer dizer, Jesus não morreu para apagar o pecado original nem nos substituiu nos pecados individuais. Logo, todos os seres humanos são filhos de Deus e herdeiros dos Céus, isto é, todos têm condições de chegar aos planos espirituais mais elevados, através da evolução e da reencarnação.

        São as diferenças evolutivas que dividem os filhos de Deus entre aqueles que já fazem a vontade do Pai, se conduzindo no caminho do bem e estando em maior sintonia com Ele ou como disse Paulo: “são guiados pelo espírito de Deus” (Romanos 8:14). E os que por vontade própria se afastam dessa sintonia, não realizando a reforma interior. 

          O retorno ao caminho do correto agir através do arrependimento reforça os laços com os Espíritos do Senhor, volvendo o homem ao equilíbrio de sintonia mental com Deus, por meio da oração sincera e da caridade.

“Deus prefere os que o adoram do fundo do coração, com sinceridade, fazendo o bem e evitando o mal, aos que pensam honrá-lo através de cerimônias que não os tornam melhores para os seus semelhantes.”
“Todos os homens são irmãos e filhos do mesmo Deus, que chama para ele todos os que seguem as suas leis, qualquer que seja a forma pela qual se exprimam.” O Livro dos Espíritos, questão 654.



Jefferson Moura de Lemos