“Logo se reconhecerá que o Espiritismo ressalta a cada passo do próprio texto das Escrituras Sagradas. Os Espíritos não vêm, pois, destruir a religião, como alguns o pretendem, mas, ao contrário, vêm confirmá-la, sancioná-la por provas irrecusáveis.” (O Livro dos Espíritos, questão 1010)

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terça-feira, 17 de setembro de 2024

REENCARNAÇÃO E JUSTIÇA PARTE II

 

A Doutrina da reencarnação, ensinada pelo Espiritismo, pela sua riqueza de detalhes e pela sua conjugação com a justiça Divina e leis de Progresso e de Causa e Efeito, difere em seu contexto, dos renascimentos sucessivos das doutrinas orientais.

A lei de Causa e Efeito é muito mais lógica e complexa que o chamado “Karma” do Hinduísmo e outras religiões e filosofias.

Daí porque será sempre preferível a nomenclatura espírita, evitando-se as confusões desnecessárias.

A Codificação Espírita refere-se sempre à lei de causa e efeito e nunca a Karma.

A reencarnação está profundamente vinculada à Justiça Divina, de tal sorte que, sem se admitir as vidas sucessivas, não há como compreender as desigualdades humanas e sociais na Terra, em qualquer época da história do homem.

A unicidade da existência leva as Igrejas que a adotam a terríveis incongruências e a consequências paradoxais com relação aos atributos de Deus. Como admitir-se ajustiça de Deus diante da desigualdade total de seus filhos na terra? Pela doutrina da Graça? Mas então Deus criaria a seu alvedrio criaturas felizes e infelizes, sãs e doentes, inteligentes e néscias, ricas e pobres, sem a mínima noção de justiça? E ainda assim condenaria milhões dessas criaturas a um inferno a que não poderiam escapar, pelas condições de sua criação?

Essas indagações, que estão nas mentes de milhões de pessoas, mostram quão difícil é a sustentação de doutrinas contrárias à lógica e ao bom senso, que não quiseram acompanhar a progressividade das revelações divinas.

A reencarnação é, assim, o processo através do qual se cumpre a justiça total, verdadeira, infalível, mostrando aos homens que todos são filhos do Deus misericordioso, que lhes oferece sempre oportunidade de renovação.

Por isso, não há deserdados, mas somente os que resgatam o mal que fizeram, e cada um é herdeiro das próprias obras.

Reencarnação e justiça são manifestações da sabedoria de Deus que, assim, vela permanentemente pelo bom e pelo mau. Ninguém fica à margem da vida e da redenção. Cada qual colhe os frutos de suas obras, mas todos se destinam, afinal, a ser felizes.

Juvanir Borges de Souza

Revista Reformador/ ano 113/ fevereiro 1995/ n° 1.991– pag.8

Federação Espírita Brasileira 

sexta-feira, 19 de maio de 2023

A ESPADA DE PEDRO E A LEI DO CARMA








 (…) no instante em que Jesus foi preso, um dos seus discípulos puxou da espada e feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe uma orelha. Então Jesus disse: “Mete no seu lugar a tua espada, porque quem pela espada fere, pela espada será ferido” (Mateus 26:52) [1].




Conclusões:

  1. Revelação da Lei de causa e efeito;
  2. Cada um paga na exata proporção do que deve;
  3. Todo delito desencadeia a necessidade de uma reparação;
  4. O sofrimento é uma das formas de resgate;
  5. A dor representa um ato de justiça de Deus;
  6. Explicação para os sofrimentos trazidos do berço, sem causa nesta existência.

           

A) Revelação da Lei de causa e efeito: todo padecimento que causamos a outrem, traz, como consequência, para nós, uma dor semelhante àquela que levamos ao próximo. Não há exceção. Ao dizer “quem” pela espada fere, Jesus está claramente revelando que todos nós estamos sujeitos a essa lei.

          Vê-se, assim, que todo sofredor de hoje, cuja causa do sofrimento (pecado) não se encontra nesta vida, tem sua dor causada por erros cometidos em vidas anteriores. Em outras palavras só parece pela espada, quem pela espada feriu. O pecado é a causa e o sofrimento o efeito.

           B) Cada um paga na exata proporção do que deve: agora vamos nos deter na palavra “espada”. Jesus a utilizou porque foi através deste instrumento que houve a ação do seu discípulo, cortando a orelha do soldado. No entanto, ao relacionar o mal praticado pela espada, com a reparação advinda também pela espada, Jesus deixou claro o entendimento de que cada um paga na exata proporção do que deve.

          Cada um é punido naquilo que pecou. Não é o instrumento material em si que proporciona o resgate. A espada simboliza o tipo de dor causada ao próximo. Por exemplo: o pai que abandona seus filhos, numa outra existência poderá nascer num lar onde se veja privado da presença do seu genitor.

 Queremos dizer outra coisa para você: é com relação à extensão da dor, o tamanho do sofrimento. Segundo a conceituação evangélica, os homens que não forem salvos irão para o inferno. Lá todos sofrerão “igualmente” as mesmas dores, pouco importando que tipo de dor tenha causado ao próximo. Medite sobre isso. O ensino de Jesus, aqui evidenciado na figura da “espada”, é contrário a essa interpretação evangélica.

           C) Todo delito desencadeia a necessidade de uma reparação: agora é a vez de irmos buscar a palavra “será”. Quem pela espada fere, pela espada será ferido. Jesus empregou o verbo no futuro, numa confirmação de que erro algum passa em vão. A dor advinda do erro praticado agora, somente surgirá amanhã. O infrator, cedo ou tarde, será chamado ao resgate. Dizemos resgate porque, conforme explicamos atrás, o sofrimento não pode ser em vão.

           D) O sofrimento é uma das formas de resgate: conforme já vimos, o sofrimento tem um fim útil. O enfermo está reparando, através da dor, erros cometidos no passado. Estar ferido hoje significa que ferimos alguém outrora.

           E) A dor representa um ato de justiça de Deus: se eu feri pela espada, é justo que eu repare meu erro, sendo por ela ferido. Injusto, inglório, desmerecido e inaceitável, seria eu ferir pela espada e ter meus pecados esquecidos sem resgate, como pregam os irmãos evangélicos.

          Segundo a Doutrina que professam, nossos pecados são resgatados ao aceitarmos Jesus como salvador. Quanta ilusão! Perceberiam o engano em que se encontram. Se refletissem naquilo que nos diz a Bíblia, nas palavras de Jesus: “Quem pela espada fere, pela espada perecerá”. Ou seja, errou… Paga!

           F) Explicação para os sofrimentos trazidos do berço, sem causa nesta existência: ao ditar o ensinamento, Jesus está expondo, também, a razão dos sofrimentos trazidos do berço. Se alguém já nasce com o estigma do sofrimento é que, necessariamente, feriu outrem. Como este erro não pode ter sido praticado estando o Espírito no ventre da mãe fica claro que errou antes do nascimento. Logo, numa existência anterior. Daí dizermos que só perece pela espada, quem pela espada feriu.

 

 Extraído do livro “O Espiritismo à Luz da Bíblia Sagrada”

Autor: Melcíades José de Brito

Editora DPL, P.41 – 43

 

[1] O discípulo foi Pedro e o servo do sacerdote chamava-se Malco (João 18:1 – 13)

segunda-feira, 15 de maio de 2023

A CADA UM SEGUNDO AS SUAS OBRAS

 



  (…) em Cesaréia de Filipe, após interrogar seus discípulos acerca do que diziam os homens a seu respeito, Jesus declara: “
Porque o Filho do homem virá na glória de seu Pai, com os seus anjos; e, então, dará a cada um segundo as suas obras” (Mateus 16:27). 



Conclusão:

a)    Jesus é o Guia Espiritual de todos os homens;

b)    Aplicação da Lei de Causa e Efeito;

c)    Revelação da Lei de Merecimento;

d)    O que define a sorte futura são as obras e não a fé;

e)    Mais importante do que pensar e crer, é o fazer;

      a)    Jesus é o Guia Espiritual de todos os homens: ao se referir a si mesmo Jesus se autodenominava “Filho do Homem”. Ao fazer aquela citação, Ele declarou, mas uma vez, sua missão junto aos homens, outorgada por Deus: ser o Guia Espiritual de todos nós, contando com a colaboração dos Espíritos Superiores (“com os seus anjos”), para aplicação da Lei de Deus.

      b) Aplicação da Lei de Causa e Efeito: a cada um será dado segundo as suas obras, ou seja, segundo o seu merecimento. A felicidade ou a desgraça que acompanha o Espírito, nesta vida ou no plano Espiritual, decorre unicamente de suas obras, daquilo que ele fez. Se agiu para o bem, será agraciado; se agiu para o mal, sofrerá as consequências infelizes de seus atos.

       c) Revelação da Lei de Merecimento: ao dizer “… segundo as suas obras”, fica evidenciado que existe uma lei aplicável a todos nós, que é a Lei do Merecimento. É o princípio bíblico de que “tudo o que o homem semear, isso tambem ceifará” (Gálatas 6-7);

 d) O que define a sorte futura são as obras e não a fé: Jesus disse “segundo as suas obras”. Ele não disse “segundo a sua ”. Se as obras não tivessem influência sobre a sorte futura do Espírito, jamais o Cristo teria deixado aquela lição. Tanto aqui, como em muitos outros momentos, Jesus não colocou a , sem as obras, como balizadora da salvação, como pregam os irmãos protestantes;

       e) Mais importante do que crer, é o fazer: se a cada um é dado segundo as suas obras, conclui-se que naquilo que você faz que está o seu mérito. Jesus enalteceu o poder da fé para mostrar a capacidade que nós temos de fazer o bem. E fazê-lo em proveito dos outros. A fé que nada faz, não possui mérito algum. O louvor que nada produz, em favor do próximo, não traz beneficio para ninguém.


AUTOR: Melcíades José de Brito

Trecho extraído do livro

“O Espiritismo à Luz da Bíblia Sagrada”

Pag. 43,44

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

A LEI DE CAUSA E EFEITO E A REENCARNAÇÃO













         No episódio ocorrido próximo ao tanque de Betesda, descrito pelo evangelista João (Capítulo 5, versículos 1-14), Jesus cura um homem paralítico cuja enfermidade o afligira por 38 anos. Mas tarde reencontrando-o adverte: “Vês que já estás curado; não pequeis mais, para que não te aconteça coisa pior.” 
         Como aquele homem entenderia as palavras de Jesus se não como um aviso de que a sua enfermidade era uma punição e se não melhorasse de conduta e reformasse o seu íntimo, poderia receber outra punição ainda mais rigorosa que a primeira.
        Por punição não entendemos castigo, mas retorno, como consequência de uma ação. É a Lei de Causa e Efeito, no qual cada um recebe de volta o resultado de suas ações. Essa Lei é comumente conhecida como Carma.
        No Espiritismo compreendemos que Deus não castiga. Cada indivíduo é responsável pelos atos que cometeu e essa ação seja boa ou má retorna na atual existência ou reflete-se nos acontecimentos físicos ou morais das futuras encarnações.
        Essa Lei de Causa e Efeito pode ser observada em todos os momentos da nossa vida cotidiana:

 - Maus hábitos higiênicos podem desencadear como consequência doenças às vezes incuráveis;

 - A falta de atenção pode resultar em acidentes desagradáveis no trabalho;

 -Determinadas atitudes inconsequentes ao volante geram desastres rodoviários imprevisíveis. 

      Outras ocorrências fogem totalmente a nossa responsabilidade na atual existência, tendo sua origem nos refolhos da alma, reflexos de vivências do pretérito:

  - Doenças de origem genética, que desencadeiam enfermidades de nascença ou surgem muitos anos depois a feição de moléstias incuráveis;

  - Cataclismos e acidentes em que a vitima se encontrava no lugar e na hora “erradas”;

 - Traumas e distúrbios psicológicos, cujas explicações não se encontram nos vestígios do inconsciente atual. 

         A Lei de Causa e Efeito e a Reencarnação são os mecanismos divinos para o nosso aprendizado. O segredo para não passarmos mais pelos efeitos da dor e do sofrimento está nas palavras de Jesus ao ex-paralitico de Betesda: “não pequeis mais, para que não te aconteça coisa pior”. 



Jefferson Moura de Lemos


domingo, 11 de dezembro de 2011

A QUEDA DA TORRE DE SILOÉ


          “Quando, pois, vais com o teu adversário ao magistrado, procura livrar-te dele no caminho; para que não suceda que te conduza ao juiz, e o juiz te entregue ao meirinho, e o meirinho te encerre na prisão. Digo-te que não sairás dali enquanto não pagares o derradeiro ceitil.”
         “E naquele mesmo tempo, estavam presentes ali alguns que lhe falavam dos galileus cujo sangue Pilatos misturara com os seus sacrifícios. 
         E respondendo Jesus, disse-lhes: Cuidais vós que esses galileus foram mais pecadores do que todos os galileus, por terem padecido tais coisas?
         Não, vos digo; antes, se vos não arrependerdes, todos de igual modo perecereis.
         E aqueles dezoito sobre os quais caiu a torre de Siloé e os matou, cuidais que foram mais culpados do que todos quantos homens habitam em Jerusalém?
         Não, vos digo; antes, se vos não arrependerdes, todos de igual modo perecereis.”

(Lucas 12:58,59; 13:1-5)¹
  

           Após finalizar uma exposição acerca dos sinais dos tempos e da Lei de Ação e Reação, utilizando como sempre fazia uma linguagem simples e ilustrativa, Jesus ainda permaneceu por um instante conversando e instruindo determinadas pessoas do grupo ou outras que chegaram naquele momento, acerca do que falavam. O assunto em questão era sobre um massacre ocorrido há pouco tempo.
         Alguns rebeldes galileus foram mortos por ordem de Pilatos e o sangue deles foi misturado aos sacrifícios que ofereciam. Possivelmente confabulando entre si falavam de forma arrogante, que aqueles homens mereceram o que lhes aconteceu por serem ignorantes e pecadores. Certamente tinham débitos a resgatar com a justiça divina.  
         Os galileus, mesmo sendo judeus não eram vistos com simpatia pelos seus irmãos de outras regiões. Tinham fama de insurgentes e eram uma preocupação para Roma.
         Assim, acreditavam que o mestre iria dar crédito aos seus comentários, pois Ele próprio acabara de explicar que as dividas contraídas teriam que ser pagas até o ultimo ceitil.
         Todavia, Jesus lhes conhecendo a arrogância e o preconceito, deixou uma lição de humildade, esclarecendo que aqueles galileus mortos não tinham mais pecados que os outros galileus, quer dizer, todos sendo pecadores terão que arcar cada um com suas dívidas. Do mesmo modo, eles (que se consideravam mais puros), se não arrependerem-se dos seus pecados igualmente perecerão, isto é, tambem resgatarão os seus débitos com a justiça divina.
         E para ilustrar melhor o ensino, a fim de debelar o orgulho dos que se consideravam melhores que os outros, acrescentou ainda um acidente sucedido com a torre de Siloé, uma antiga torre no sul de Jerusalém, esclarecendo que os dezoito homens que morreram quando a torre de Siloé caiu sobre eles, tambem não eram mais culpados que os outros habitantes de Jerusalém, mais se todos, cada um com suas culpabilidades a resgatar, não se arrependerem igualmente perecerão.

         Geralmente quando acontece algo de mal com alguém que não gostamos ou temos preconceito por não se adequar aos nossos valores. Acreditamos que a justiça divina recaiu sobre ele. Não nos consideramos tambem pessoas carregadas de erros, somente vislumbramos em nós as virtudes que muitas vezes carecemos. Nesta lição Jesus mostra que todos nós temos nossos débitos e que se não modificarmos o nosso comportamento e o nosso jeito de proceder para com o próximo, poderemos vir a ter tantas dificuldades quanto aqueles que julgávamos mais pecadores que nós.


Jefferson Moura de Lemos




[1] Bíblia Sagrada. João Ferreira de Almeida. Ed. 1995 São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 2005. 

O PARALÍTICO DE BETESDA E A LEI DE CAUSA E EFEITO

         No episódio ocorrido próximo ao tanque de Betesda, descrito pelo evangelista João [1], Jesus cura um homem paralítico cuja enfermidade o afligira por 38 anos.  Mas tarde reencontrando-o adverte: “Vês que já estás São; não peques mais, para que não te suceda alguma coisa pior.” [2]
       Como aquele homem entenderia as palavras de Jesus se não como um aviso de que a sua enfermidade era uma punição e se não melhorasse de conduta e reformasse o seu íntimo, poderia receber outra punição ainda mais rigorosa que a primeira.
         Por punição não entendemos castigo, mas retorno, como consequência de uma ação. É a Lei de Causa e Efeito, no qual cada um recebe de volta o resultado de suas ações. Essa Lei é comumente conhecida como Carma.
         No Espiritismo compreendemos que Deus não castiga. Cada individuo é responsável pelos atos que cometeu e essa ação seja boa ou má retorna na atual existência ou reflete-se nos acontecimentos físicos ou morais das futuras encarnações.
         Essa Lei de Causa e Efeito pode ser observada em todos os momentos da nossa vida cotidiana:

- Maus hábitos higiênicos podem desencadear como consequência doenças as vezes incuráveis;

 - A falta de atenção pode resultar em acidentes desagradáveis no trabalho;

 - Determinadas atitudes inconsequentes ao volante geram desastres rodoviários imprevisíveis. 

         Outras ocorrências fogem totalmente a nossa responsabilidade na atual existência, tendo sua origem nos refolhos da alma, reflexos de vivências do pretérito:

- Doenças de origem genética, que desencadeiam enfermidades de nascença ou surgem muitos anos depois a feição de moléstias incuráveis;

 - Cataclismos e acidentes em que a vitima se encontrava no lugar e na hora “erradas”;

 - Traumas e distúrbios psicológicos, cujas explicações não se encontram nos vestígios do inconsciente atual. 

         A Lei de Causa e Efeito e a Reencarnação são os mecanismos divinos para o nosso aprendizado. O segredo para não passarmos mais pelos efeitos da dor e do sofrimento está nas palavras de Jesus ao ex-paralítico de Betesda, onde o não pecar mais deixa a certeza de que no futuro não acontecerá coisa pior.



Jefferson Moura de Lemos


Referências:

[1] (Capítulo 5, versículos 1-14)
[2] Bíblia Sagrada. João Ferreira de Almeida. Ed. 1995 São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 2005.